Mais uma vez, o fantasma do
desemprego (demissões em massa nos meios de comunicação) volta a assombrar os
veículos do país. A Folha de São Paulo demitiu 25 jornalistas, a pretensão é
chegar a 50. O Diário de Pernambuco demitiram mais de 30 profissionais da área.
O Popular, tradicional em Goiás, retirou de seu quadro quatro trabalhadores e
deve anunciar mudanças. O Estadão cortou 40 funcionários da redação e provocou
assembleias convocadas pelos sindicatos para a proteção dos direitos
trabalhistas. O famoso grupo Abril acabou com várias revistas, desocupou metade
do prédio que era sede da empresa e demitiu 150 funcionários.
A crise também chegou à
televisão. Globo, Record, Band, Rede TV!, SBT e TV Cultura realizaram grandes
demissões, tudo isso acompanhado também da perda de audiência. As empresas
alegam corte de gastos por conta de pouca verba publicitária. Outras falam em
reajustes aos novos tempos.
A era da comunicação = A crise na
mídia impressa, no rádio e canais de televisão mostra que o receptor quer ser
livre. Quer escolher onde e quando irá se informar, além de interagir com seu
emissor. E a internet também tem sua culpa, justamente por possibilita essa
liberdade. Ao falar da Cibercultura (cultura nascida a partir do uso da rede de
computadores), antes da grande popularização da internet, o teórico Pierre Levy
propunha a comunicação todos-todos, onde qualquer pessoa é emissora e receptora
ao mesmo tempo. Agora, com muitos tendo acesso à internet e por diferentes
plataformas e principalmente na palma das mãos como smartphones e tablets, as
opções para receber informações são variadas e ainda é possível comentar e
compartilhar as notícias em tempo real.
Além disso, o receptor também
quer gerar seu próprio conteúdo. Os exemplos estão às páginas no Facebook com
notícias locais que acumulam milhares de seguidores e atraem anunciante onde
está o x da questão. Páginas estas que muitas vezes não são comandadas por
jornalistas, mas por moradores de regiões que sentem a necessidade de informar
a população. Essa nova era traz benefícios e prejuízos aos jornalistas e
emissoras.
Se por um lado, várias vagas de empregos são extintas e, muitas
vezes, um profissional torna-se sobrecarregado de trabalho, por outro, será
possível que muitos desenvolvam sua própria criação em um ambiente de livre
acesso e que dispõe de espaço para todos. Esse momento ainda não é de
transição total no país, pois ainda há uma parcela da população que é
considerada excluída digitalmente. Entretanto, o número de conectados só vem
subindo e o Governo Federal prepara ferramentas para levar internet a 98% dos
domicílios brasileiro.
De forma alguma a extinção ou
diminuição de veículos de comunicação consagrados é boa, mas é um ajuste que
deverá ser feito por conta do processo natural de evolução digital e que não é
possível impedir. A solução talvez seja uma adequação à nova era, na criação de
novos meios de informação e na busca por novas alternativas de comunicação que
estão escondidas no mar da criatividade. Nessa briga das emissoras por sobrevivência,
vai se sair melhor as que tiverem mais, criatividade, qualidade, interação,
rapidez, comprometimento e credibilidade, seja ela, um grande ou pequeno veículo
de comunicação.
Fonte/Observatório da Imprensa

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